Trump garante que Irã não aplicará tarifas em Ormuz, desmentindo afirmações opostas

Na quarta-feira, 24, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que o Irã assegurou a Washington que não haverá cobranças de taxas ou pedágios para a passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.

“O Irã comunicou aos Estados Unidos que, apesar de informações enganosas e provocativas, ‘NÃO HÁ PEDÁGIOS, CUSTOS DE SEGURO OU QUAISQUER OUTRAS TAXAS SENDO EXIGIDOS OU RECEBIDOS PELO IRÃ DE NAVIOS QUE NAVEGAM PELO ESTREITO DE HORMUZ’”, declarou Trump em uma postagem nas redes sociais. “Caso essa informação se prove falsa, as negociações serão encerradas imediatamente!”.

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Os dois países concluíram uma primeira rodada de negociações na Suíça na última segunda-feira, mas sem alcançar progressos significativos. Ambos têm apresentado narrativas diferentes sobre incentivos financeiros ao Irã, a administração do Estreito de Ormuz e o envolvimento de Israel na guerra no Líbano — todos temas centrais do memorando assinado na semana anterior com a intenção de pôr fim ao conflito.

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Na terça-feira, autoridades iranianas informaram que apenas um número restrito de embarcações receberá autorização para transitar diariamente pelo Estreito, dependendo das condições na região. Além disso, Teerã anunciou que irá discutir com Omã uma possível administração conjunta da passagem marítima, o que poderia incluir a cobrança por serviços prestados.

Em uma declaração conjunta, os governos mencionaram “direitos soberanos sobre as águas territoriais” e concordaram em continuar as conversas visando “um acordo sobre a futura gestão da navegação no Estreito de Ormuz, os serviços a serem oferecidos nesse contexto e os custos relacionados, conforme padrões internacionais”.

Apesar das tensões entre os países, pelo menos 35 embarcações cruzaram a passagem na segunda-feira, estabelecendo um recorde desde o início do conflito na região em fevereiro. Esse marco foi alcançado uma semana após a formalização do acordo entre Irã e Estados Unidos para cessar as hostilidades e reabrir a rota estratégica responsável por 20% do consumo mundial de gás e petróleo.

Entretanto, esse tráfego ainda representa menos de um terço das movimentações normais em tempos pacíficos, quando aproximadamente 120 navios passavam diariamente pela importante via marítima. Analistas estimam que a plena normalização da navegação pode levar entre dois a seis meses, embora já existam impactos visíveis nos mercados.

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A recuperação total ao cenário pré-conflito enfrenta vários desafios logísticos e financeiros. Entre eles está a remoção das minas plantadas pela Guarda Revolucionária Islâmica, um processo que deve levar pelo menos 40 dias, além dos altos prêmios de seguro devido aos riscos associados à guerra.

Outro obstáculo é o congestionamento nos portos: mais de 1.500 embarcações estão retidas, e estima-se que levará entre três a cinco meses para processar essa demanda nas áreas de transbordo subsequentes.

Todavia, existem incertezas quanto à possibilidade de retornar à situação anterior ao conflito.

“A gestão do Estreito de Ormuz não será mais como antes da guerra”, afirmou o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em declarações feitas nesta terça-feira à agência estatal Irna. Ele indicou que o Irã controlará a via marítima, levantando questões sobre eventuais taxas que possam ser aplicadas aos navios que desejarem passar por Ormuz.

No sábado (20), Teerã havia anunciado o fechamento da passagem em resposta aos recentes ataques israelenses no Líbano, mesmo com um cessar-fogo vigente. Contudo, posteriormente chegou-se a um entendimento com Washington acerca dos mecanismos para interromper os confrontos em território libanês e garantir a segurança do estreito.

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Novos ataques israelenses foram registrados nesta terça-feira no sul do Líbano. O embaixador iraniano na ONU em Genebra já alertou sobre os perigos que isso representa para as negociações com os Estados Unidos.

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