Prefeitura chilena sob fogo por investimento de US$ 13 milhões em adesivos da Copa, revela ONG

A administração da cidade de Colina, localizada no Chile, investiu US$ 13 milhões, o que equivale a cerca de R$ 66 milhões, na aquisição de álbuns e figurinhas relacionadas à Copa do Mundo de 2026. Uma informação publicada pela ONG Fundação América Transparente no dia 16, terça-feira, revela que as autoridades locais utilizaram uma estratégia legal para realizar essa compra sem a necessidade de um processo de licitação pública.

“Quem nunca sonhou em completar o álbum da Copa do Mundo? Na Corporação Municipal de Colina, isso é levado muito a sério, mas com os recursos da população!”, criticou a Fundação América Transparente em suas redes sociais. A entidade destaca que foram adquiridos 1.700 álbuns pelo governo municipal, destinados a apoiar “atividades recreativas e educacionais”, além de um total de 47.600 figurinhas.

+ Pode ser caro, mas e daí? O fenômeno do álbum de figurinhas da Copa já começou.

Além dos altos valores envolvidos, a ONG também destacou que a prefeitura fracionou as compras em duas transações separadas para evitar o processo licitatório.

Estratégia

Conforme a legislação chilena, as autoridades têm permissão para realizar aquisições especiais através das chamadas compras ágeis, que são limitadas a 100 UTM — unidade utilizada no país para calcular impostos e obrigações financeiras. Desde junho de 2026, o valor da UTM ultrapassa os US$ 71 mil, estabelecendo assim um limite de compras sem licitação ligeiramente acima de US$ 7 milhões.

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Como os valores das compras realizadas pela prefeitura superavam consideravelmente esse limite, a aquisição foi dividida em duas partes iguais, cada uma com um custo estimado em US$ 6.497.876, evitando assim o teto das compras ágeis.

“Essa prática é conhecida como fragmentação de compras. É uma maneira rápida de evitar concorrência e transparência ao escolher manualmente”, ressaltou a ONG. “Em vez de abrir uma licitação, optaram por dividir a compra em duas partes. E quem saiu vitorioso em ambas as negociações? O mesmo fornecedor: Grupo Tradenix SpA”, acrescentou.

A prefeitura enviou uma comunicação à emissora chilena T13 afirmando que sua intenção ao adquirir os álbuns era “promover um ambiente escolar mais saudável e melhorar o bem-estar dos alunos”, mencionando que cerca de 12 mil estudantes foram beneficiados pela compra. “Essa atividade proporcionou a milhares de crianças uma pausa das telas para interagir pessoalmente, trocar figurinhas e aproveitar momentos juntos”, concluiu o comunicado.

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