Justiça da Argentina emite alerta a Cristina Kirchner e considera reavaliar regime de prisão domiciliar

No dia 17 de outubro, a Justiça da Argentina enviou uma notificação formal à ex-presidente Cristina Kirchner, que governou entre 2007 e 2015, ao completar um ano de sua prisão domiciliar por acusações de corrupção. A advertência foi motivada pelas demonstrações de apoio público que ela tem recebido em frente à sua residência.

A autoridade judicial ressaltou que a prisão domiciliar pode ser revogada se Cristina desrespeitar as normas estabelecidas, especialmente ao “perturbar a calma dos vizinhos”. Isso ocorre após uma grande concentração de pessoas em frente à sua casa no último dia 14, onde os manifestantes se uniram sob o slogan “Cristina livre”.

Mobilizações em prol de Kirchner

Esse tipo de mobilização se tornou recorrente desde que a ex-mandatária foi condenada, uma decisão que ela atribui a uma suposta “perseguição política”. Uma nova manifestação está programada para o próximo sábado, dia 20; Kirchner ainda é vista como a principal figura da oposição ao governo do presidente ultraliberal Javier Milei.

A decisão do juiz Rodrigo Giménez Uriburu afirma: “Cristina Kirchner está intimada a não realizar ações ou comportamentos que possam violar as condições sob as quais lhe foi concedido o regime domiciliar pelo cumprimento da pena imposta”.

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A Justiça também criticou Kirchner por supostamente contribuir para a instalação de uma grande bandeira que ligava sua varanda, localizada no segundo andar da rua San José na capital argentina, a um prédio vizinho, com a inscrição “De San José à Rosada”, referindo-se à sede do governo.

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A inelegibilidade e os rumos do peronismo

<pA ex-presidente, que atualmente tem 73 anos, foi sentenciada em 17 de julho de 2025 a seis anos de detenção e à inelegibilidade perpétua para cargos públicos devido a fraudes relacionadas à contratação de obras durante seu governo.

A proibição de ocupar funções públicas gerou um intenso debate dentro do movimento peronista. Antes mesmo da condenação, sua liderança já enfrentava desafios por parte de diversos governadores, conforme apontado pelo analista político Andrés Malamud à agência AFP. Ele acrescentou: “A sua prisão não acelerou apenas o processo sucessório, mas também provocou uma fragmentação dentro do peronismo”.

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Entre os possíveis novos líderes do grupo está o governador de Buenos Aires, Axel Kicillof. Recentemente, um pedido da defesa da ex-presidente para bloquear o confisco milionário dos seus bens foi negado pela Câmara de Apelações.

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