ONU identifica indícios de crimes de guerra por parte de Israel em Gaza, relacionados a mortes na ‘linha amarela

Recentemente, o Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas divulgou que aproximadamente um terço dos palestinos que perderam a vida em confrontos com Israel desde o início do cessar-fogo, que começou em 10 de outubro de 2025, foram mortos em áreas adjacentes à linha de armistício militar que separa os dois lados. Essas informações foram obtidas pela agência Reuters nesta quarta-feira, 27, e geraram preocupações sobre a possibilidade de as forças armadas israelenses estarem disparando contra civis apenas por se aproximarem dessa região, o que poderia ser classificado como assassinatos ilegais e crimes de guerra.

A defesa do Exército israelense aponta que os tiros efetuados próximos à chamada “linha amarela”, delimitada por blocos de concreto onde suas operações ainda são permitidas conforme acordos com o Hamas, têm como objetivo neutralizar potenciais ameaças de militantes.

Os dados fornecidos pela ONU indicam que, desde a trégua até 5 de fevereiro, houve 453 mortes confirmadas. Dentre esses óbitos, 152 pertencem a palestinos — incluindo 102 homens, 15 mulheres, 24 meninos e 11 meninas — que estavam nas proximidades da fronteira, conforme relatado pela organização.

“As evidências disponíveis levantam sérias inquietações sobre a conduta do Exército israelense em atirar e eliminar pessoas supostamente civis apenas por estarem nas proximidades da ‘linha amarela’, o que configuraria assassinatos ilegais e crimes de guerra”, afirmou Ajith Sunghay, chefe do Escritório de Direitos Humanos da ONU na região ocupada.

Sunghay também mencionou que esse padrão é “preocupante”, já que civis “não representam risco algum para a vida dos militares israelenses”. Ele ressaltou ainda a confusão quanto à localização da “linha amarela”, afirmando: “Ninguém sabe exatamente onde começa ou termina, ou como se movimenta”.

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Tensões na Fronteira

Especialistas apontam que o Exército tem movido os blocos de concreto que marcam a fronteira para dentro do território sob controle do Hamas. Mapas israelenses revelam uma extensão crescente da zona restrita militar, agora abrangendo quase dois terços da faixa de Gaza — quando o acordo previa apenas 57% dessa área.

A proposta de cessar-fogo mediada por Donald Trump previa uma retirada gradual das tropas israelenses do território palestino. No entanto, até o presente momento, não houve qualquer sinal dessa movimentação.

Pelo contrário, essa ampliação da zona controlada por Israel tem alimentado receios entre os palestinos deslocados que habitam acampamentos improvisados e residências destruídas perto da “linha amarela”, levando-os a temer serem considerados alvos militares à medida que estão sendo comprimidos em um espaço cada vez menor.

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As autoridades israelenses caracterizam as áreas tomadas não apenas em Gaza, mas também na Síria e no Líbano, como “zonas de amortecimento” destinadas a prevenir possíveis ataques após o ataque perpetrado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que deu início ao atual conflito em Gaza.

Ainda assim, mesmo com o cessar-fogo estabelecido, os ataques israelenses contra Gaza não foram completamente interrompidos. Recentemente, Israel anunciou ter eliminado Mohamed Odeh, chefe do braço armado do Hamas.

No total, cerca de 900 palestinos perderam suas vidas devido aos ataques israelenses desde o início da trégua, segundo fontes da saúde em Gaza, sem distinção entre civis e militantes. Durante esse mesmo período, quatro soldados israelenses foram mortos por combatentes palestinos.

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