Novo presidente interino será eleito no Congresso Peruano após rápido afastamento de José Jerí

Nesta quarta-feira, o Congresso do Peru irá escolher o novo presidente interino do país, após a destituição de José Jerí, afastado do cargo após apenas quatro meses de mandato. Essa será a oitava mudança de chefe de Estado em uma década, refletindo a instabilidade política crônica que marca o Peru.

O presidente escolhido pelos parlamentares permanecerá no cargo até 28 de julho, quando deverá passar o cargo para o vencedor das eleições gerais programadas para 12 de abril. Essas eleições renovarão tanto o Executivo quanto o Legislativo, que voltará a ser bicameral, com 130 deputados e 60 senadores.

Destituição por “incapacidade moral”

Na terça-feira, o Congresso aprovou o impeachment de Jerí com base na figura constitucional da “incapacidade moral permanente”, um dispositivo frequentemente utilizado nos últimos anos para afastar presidentes sem uma maioria sólida no Parlamento.

A queda do presidente foi provocada pela revelação de encontros não declarados com empresários chineses, incluindo representantes de uma empresa contratada pelo Estado. Jerí afirmou que os encontros tinham como objetivo organizar um festival cultural entre o Peru e a China. No entanto, o Ministério Público abriu duas investigações preliminares por suspeita de patrocínio ilegal de interesses privados e tráfico de influência contra a administração pública.

Analistas políticos peruanos apontam que o uso frequente da cláusula de “incapacidade moral” aumentou o poder do Legislativo e enfraqueceu o Executivo, gerando um ciclo de confrontos institucionais.

Quatro candidatos na disputa

Quatro congressistas se candidataram para a eleição interna que determinará o novo presidente interino. Até agora, não está claro o nível de apoio de cada um.

Maria del Carmen Alva, advogada e integrante do partido conservador Ação Popular, é apontada como favorita. Ela já presidiu o Congresso e pertence a uma família com forte presença no setor agroexportador, especialmente na produção e exportação de aspargos para mercados como o dos Estados Unidos.

Outro candidato é Héctor Acuña, engenheiro vinculado ao grupo conservador Honra e Democracia. Ele é irmão de César Acuña, ex-governador e candidato à Presidência pelo partido Aliança para o Progresso, que apoiou governos recentes, como o de Dina Boluarte e o próprio Jerí.

Completando a lista de candidatos, José Balcázar, ex-juiz ligado ao partido de esquerda Perú Libre, e Edgard Reymundo, sociólogo do Bloque Democrático, também representam os interesses da esquerda.

Crise política e avanço da violência

O próximo presidente enfrentará um país sob múltiplas pressões, incluindo um aumento significativo de homicídios e casos de extorsão, que afetam particularmente pequenos comerciantes e trabalhadores informais.

Organizações civis e partidos de diferentes espectros ideológicos estão exigindo garantias para a transparência das eleições de abril, em um momento de desconfiança pública em relação à estabilidade das instituições.

Desde 2016, vários presidentes foram derrubados, renunciaram ou enfrentaram investigações por corrupção no Peru. A alta rotatividade no poder expõe a fragmentação partidária e a dificuldade de formar coalizões duradouras no Congresso.

A escolha do novo presidente interino pode trazer algum alívio institucional temporário, mas a estabilidade do sistema político peruano dependerá mais da capacidade de reconstruir pactos mínimos entre Executivo e Legislativo do que de um único nome.

Bem Ironico

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