Impacto da revogação do veto ao PL da Dosimetria na trajetória de Bolsonaro é analisado por especialista

A recente revogação do veto presidencial ao PL da Dosimetria deu início a um novo debate jurídico e político em torno dos indivíduos condenados por envolvimento na tentativa de golpe, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante sua participação no programa Ponto de Vista, o advogado especializado em Direito Constitucional Acácio Miranda comentou que a nova norma pode levar a uma redução significativa das penas, mas considerou pouco provável que o ex-presidente consiga uma liberdade imediata (este texto é um resumo do vídeo acima).

Miranda explicou que, embora o Direito Penal brasileiro inclua a retroatividade benéfica, a legislação aprovada pelo Congresso introduziu mecanismos que exigem a manifestação do Supremo Tribunal Federal para a concessão de benefícios.

Quais são as mudanças trazidas pelo PL da Dosimetria?

Segundo o especialista, o principal impacto da nova lei é a diminuição das penas aplicadas aos condenados por crimes relacionados à tentativa de golpe. Ele ressaltou que o princípio da “retroatividade benéfica” garante que normas mais favoráveis ao réu sejam aplicadas imediatamente.

A nova legislação já está em vigor?

O constitucionalista destacou que a norma criada apresenta uma exigência atípica: agora é necessária uma autorização formal do STF para permitir progressões de regime e outros benefícios na execução penal. “Neste caso específico, é imprescindível uma decisão do Supremo”, afirmou ele.

Na opinião de Miranda, essa exigência torna o processo mais burocrático do que o usual em situações de retroatividade penal benéfica.

Bolsonaro poderá ser libertado em breve?

Para ele, essa possibilidade parece remota neste momento. O jurista fez uma distinção entre “expectativa” política e “perspectiva concreta” jurídica. “Não há chances de soltura dele com base no PL da Dosimetria no ano seguinte”, declarou.

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Conforme sua análise, Bolsonaro ainda deverá permanecer “três ou quatro anos minimamente preso”, considerando o cenário atual.

O advogado também mencionou que uma possível anistia concedida por um futuro presidente poderia mudar drasticamente essa situação. No entanto, ele enfatizou que esse assunto não se relaciona diretamente com a discussão sobre o PL da Dosimetria.

Por que o governo hesita em promulgar a nova lei?

Durante o programa, Marcela Rahal destacou que no Palácio do Planalto existe a intenção de deixar a responsabilidade pela promulgação do texto nas mãos do Congresso Nacional. Segundo Miranda, essa decisão envolve tanto aspectos políticos quanto jurídicos.

Ele observou que ao não promulgar a lei, o presidente Lula mantém espaço para eventuais contestações judiciais relacionadas à nova norma.

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É possível que o STF impeça a aprovação do PL da Dosimetria?

<pO especialista acredita que é improvável que o Supremo Tribunal altere substancialmente os termos da lei. “Vejo pouco espaço para que o Supremo suspenda liminarmente ou modifique o conteúdo do PL”, afirmou.

No entanto, ele reconheceu que essa questão pode levar a novas disputas judiciais nos próximos meses.

A flexibilização das penas pode ter consequências negativas?

Miranda lembrou que as penas possuem funções simbólicas e educativas além da punitiva. Segundo ele, quando delitos contra o Estado Democrático de Direito são punidos de maneira insuficiente, isso transmite à sociedade um sinal desfavorável sobre as instituições.

A avaliação dele é de que o clima atual de polarização tem acentuado a desconfiança popular nas instituições. “As pessoas erroneamente perderam a fé nas instituições e passaram a acreditar somente em indivíduos”, disse. Ele descreveu este momento como “extremamente sério” sob os aspectos constitucional, penal e social.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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