Hamas oferece entregar controle de Gaza, mas pede reabertura de Rafah

O grupo radical Hamas anunciou hoje, 28 de abril, que está disposto a transferir o controle do governo de Gaza para o comitê tecnocrático palestino, estabelecido como parte do acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. Esse conselho será supervisionado pelo Conselho da Paz, um órgão internacional liderado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, com a participação de líderes de diversos países. O Hamas reforçou sua demanda pela reabertura imediata da passagem de Rafah, que faz fronteira com o Egito.

“Foram tomadas medidas concretas no terreno”, afirmou Hazem Qassem, porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, à agência de notícias francesa AFP. “Podemos afirmar que todos os ministérios, órgãos e estruturas, inclusive na área de segurança, estão prontos para colaborar com o comitê. Os protocolos estão prontos e os arquivos completos para garantir uma transição eficiente do governo em Gaza para o comitê tecnocrático”.

O Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) é formado por 15 membros e será liderado por Ali Shaath, que já atua como comissário-chefe do Comitê Nacional para a Administração de Gaza. Há expectativa de que o grupo inicie suas atividades após a reabertura da passagem de Rafah, que estava bloqueada por tropas israelenses desde maio de 2024. A passagem foi temporariamente aberta no ano passado, mas foi fechada novamente a pedido de Israel.

Qassem enfatizou a importância da abertura da passagem de Rafah “em ambas as direções, com total liberdade de entrada e saída da Faixa de Gaza, sem qualquer interferência israelense”. Ele acrescentou: “É crucial que supervisionemos como este comitê gerencia as entradas e saídas dos cidadãos com total liberdade, de acordo com o acordo, e não sob as condições impostas por Israel”.

O governo de Benjamin Netanyahu concordou com uma “reabertura limitada” da passagem após o retorno dos restos mortais do último refém mantido em Gaza. O corpo do policial Ran Gvili, morto aos 24 anos, foi recuperado na segunda-feira, 26, um dia após as forças militares israelenses realizarem uma “operação em larga escala” em um cemitério no norte de Gaza. Gvili foi assassinado enquanto defendia o kibutz Alumim, no sul de Israel, durante os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.

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