Na quarta-feira, 8, o Equador decidiu convocar seu embaixador na Colômbia, após declarações do presidente colombiano, Gustavo Petro, que se referiu ao ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas — atualmente preso desde 2024 por corrupção — como um “preso político”.
A ministra das Relações Exteriores do Equador, Gabriela Sommerfeld, informou à Rádio Centro que o embaixador Arturo Félix “deve chegar a Quito hoje ou amanhã” e acrescentou que as afirmações de Petro infringem o princípio da não intervenção em assuntos internos de outros países.
Em uma declaração na última segunda-feira, Petro reiterou no X que Glas, a quem concedeu cidadania colombiana, é um “preso político” do presidente equatoriano Daniel Noboa, solicitando sua libertação.
O presidente colombiano afirmou: “Solicitei que não houvesse presos políticos em nenhum país da América. Não há dúvida de que Jorge Glas é um preso político”.
Embora não tenha mencionado diretamente Glas, Noboa se opôs à ideia de presos políticos em sua administração e destacou que tais alegações representam uma interferência na soberania nacional. Após essa declaração, Petro fez outra publicação na terça-feira reafirmando que “Jorge Glas é um cidadão colombiano e é um preso político”.
No mesmo post, o presidente da Colômbia chamou a atenção para os direitos humanos de Glas: “Peço aos organismos internacionais de Direitos Humanos (DDHH) que garantam seus direitos. Seu estado de saúde já compromete sua vida, pois na prisão não recebeu alimento suficiente e enfrenta desnutrição severa e perda de massa muscular. Deixar alguém morrer de fome sob a responsabilidade de um governo é um crime contra a humanidade”.
Jorge Glas, que atuou como vice-presidente durante o governo do ex-presidente Rafael Correa entre 2013 e 2017, está detido desde abril de 2024, quando foi retirado à força da embaixada mexicana em Quito, onde havia buscado asilo. Ele já havia sido condenado por suposta participação em um escândalo de corrupção envolvendo a empreiteira Odebrecht no Equador.