Keiko Fujimori: a herdeira de um regime que se destaca nas eleições peruanas

Com 99,85% das urnas contabilizadas, a candidata de direita Keiko Fujimori consolidou uma vantagem que parece irreversível sobre seu oponente Roberto Sánchez durante o segundo turno das eleições presidenciais do Peru, realizado na noite da última terça-feira, 23.

A confirmada vitória de Fujimori sinaliza o retorno do fujimorismo ao governo, mais de 20 anos após a queda do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), pai da candidata de 51 anos. Alberto Fujimori foi responsável por um autogolpe, estabeleceu um regime autoritário e foi condenado por vários crimes, incluindo delitos contra a humanidade. Ele faleceu em 2024, aos 86 anos.

O ex-presidente foi sentenciado a 25 anos de prisão por corrupção e pela autoria dos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), que resultaram na morte de 25 pessoas. Além disso, sua gestão é lembrada por políticas extremas, como a esterilização forçada de indígenas sem consentimento e a exibição pública de líderes guerrilheiros aprisionados em jaulas.

A filha do ex-presidente é formada em administração pelos Estados Unidos e disputa a presidência pela quarta vez consecutiva. Entre suas propostas está retirar o país da jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos para endurecer as punições para criminosos.

Aos 19 anos, após o divórcio dos pais, ela tornou-se a primeira-dama durante o governo de seu pai, convivendo com líderes internacionais e chefes de Estado.

Continua após a publicidade

Keiko denominou seu plano governamental como “Peru com ordem” e enfatiza que a insegurança é o principal desafio enfrentado pelo país. Entre suas propostas mais polêmicas está a criação de quatro penitenciárias de segurança máxima e a reinstauração dos “juízes sem rosto”, uma prática utilizada por seu pai para proteger a identidade dos magistrados, mas que levou à condenação injusta de muitos inocentes, segundo organizações defensoras dos direitos humanos.

A candidata da direita acredita que os peruanos anseiam pelo retorno do fujimorismo. “Com a determinação que meu pai teve para derrotar Sendero Luminoso e MRTA, vamos eliminar os criminosos”, declarou, referindo-se aos grupos guerrilheiros considerados terroristas pelo governo peruano.

Vantagem irreversível

<pNesta quarta-feira pela manhã, Fujimori registrava 50,118% dos votos enquanto Sánchez obtinha 49,882%, conforme informações divulgadas pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), a autoridade eleitoral do Peru. A diferença entre os candidatos era superior a 43 mil votos com mais de 19 milhões já contabilizados. Essa margem se mostra insuperável, visto que restam apenas 39.300 votos ainda correspondentes a 131 atas eleitorais.

Continua após a publicidade

Entretanto, Sánchez declarou nesta terça-feira que não aceita os resultados do segundo turno das eleições presidenciais após a apuração indicar uma vitória da rival.

“Acreditamos que houve manipulação na votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori”, afirmou o candidato esquerdista, acusando tanto a ONPE quanto a campanha de Fujimori de terem cometido irregularidades nos votos recebidos do exterior.

A candidata também obteve sucesso na votação entre os peruanos residentes no Brasil. Com todas as atas já contabilizadas na semana passada, Keiko conquistou 2.832 votos, representando 55,6% do total; já Sánchez recebeu 2.261 votos, ou seja, 44,4%.

A eleição definirá quem será o nono presidente do Peru em uma década marcada por crises políticas intensas. Desde 2016, dois presidentes renunciaram ao cargo e quatro foram destituídos pelo Parlamento peruano, considerado como o verdadeiro poder no país.

Publicidade

Bem Ironico

Bem Ironico