Durante sua primeira visita ao Egito em dez anos, o presidente da China, Xi Jinping, enfatizou na quarta-feira, 2, a necessidade de os países do Oriente Médio se unirem contra influências externas e debaterem uma nova estrutura de segurança regional.
Recebido pelo presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, em uma cerimônia militar no Cairo, Xi destacou que as nações da região devem ser “donas de seu próprio destino”. Ele também afirmou que a China está pronta para colaborar com os países do Oriente Médio na proteção das rotas marítimas, cuja relevância cresceu após a guerra no Irã, que impactou a navegação no Estreito de Ormuz e em Bab al-Mandeb.
Os líderes concordaram em fortalecer a colaboração nas áreas de segurança e combate ao terrorismo, além de expandir parcerias em setores como centros de dados, semicondutores e cadeias de suprimento de minerais essenciais. Ademais, China e Egito pretendem incentivar o uso das suas moedas nas transações comerciais e investimentos mútuos.
Essa aproximação ocorre em um momento em que aliados tradicionais dos Estados Unidos na região estão reavaliando suas alianças estratégicas, devido aos meses de conflitos que impactaram o comércio e as economias locais.
O Egito figura como um dos principais parceiros militares dos americanos, recebendo anualmente cerca de US$ 1,3 bilhão em ajuda militar proveniente de Washington. Contudo, nos últimos anos, o governo de al-Sisi tem reforçado seus laços econômicos e militares com Pequim.
+ Pequim planeja cúpula trilateral com Xi, Putin e Trump, conforme governo russo
A aproximação com a China é parte da estratégia do Cairo para diversificar suas alianças internacionais. Em um artigo publicado antes da visita de Xi, Sisi mencionou que o Egito visa manter um “equilíbrio estratégico” diante da crescente rivalidade entre as potências globais.
No contexto chinês, o Egito é visto como um parceiro valioso devido à sua influência diplomática no Oriente Médio, sua conexão com o continente africano e sua posição geográfica estratégica. O país abriga o Canal de Suez e possui mais de 110 milhões de habitantes, tornando-se um mercado significativo para as empresas chinesas.
Bem Ironico