Trump diz que Brasil falhou no combate a PCC e CV e elogia Venezuela

Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira, 16, pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que o Brasil “falhou” no combate às organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), que transformaram o país “em um centro de distribuição global de cocaína”.

“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança mundial, e o governo brasileiro precisa, com urgência, adotar medidas enérgicas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se expandam e se fortaleçam”, diz o texto assinado pelo presidente norte-americano.

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No documento enviado anualmente ao Congresso, a Casa Branca identifica os países considerados grandes produtores de drogas ilícitas ou importantes rotas de trânsito para o narcotráfico, além de avaliar os esforços dos governos estrangeiros no combate às organizações criminosas.

Na lista deste ano, Trump classificou 23 países como grandes produtores ou rotas de drogas, incluindo México, Colômbia, Peru, Bolívia e Equador. Apesar das críticas, o Brasil não aparece nessa relação.

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A menção ao Brasil ocorre em meio a uma escalada da pressão do governo Trump sobre as duas principais facções criminosas brasileiras. Em maio, o secretário de Estado, Marco Rubio, classificou o PCC e o Comando Vermelho como terroristas globais especialmente designados.

A decisão contraria a posição do governo brasileiro, que teme interferências americanas no país, incluindo a possibilidade de que a medida seja usada como pretexto para uma possível invasão territorial, como feito em outros países. Foi com essa justificativa, por exemplo, que as Forças Armadas norte-americanas capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro e bombardearam embarcações no Mar do Caribe.

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Em entrevista recente, o presidente Lula disse que a guerra contra as facções brasileiras cabe às forças nacionais. “Nós aprovamos agora a lei antifacção, que vai nos permitir ter uma atuação muito mais poderosa para tentar destruir. Essa é uma guerra que é nossa, essa guerra não é dos Estados Unidos”, disse ele aos portais Brasil 247, Revista Fórum e DCM transmitida nos canais oficiais do governo brasileiro.

A atuação dos Estados Unidos para classificar organizações criminosas estrangeiras como terroristas não é de agora. Em fevereiro do ano passado, o governo americano declarou como terroristas grupos do México (cartéis de Sinaloa, Jalisco Nueva Generación e Noreste) e a organização Tren de Aragua (Venezuela).

Elogios à Venezuela

O ocupante do Salão Oval ainda usou o documento para elogiar a Venezuela e retirar o país sul-americano da lista de nações que “falharam comprovadamente” no combate ao narcotráfico ao longo do último ano, em um novo sinal de apoio ao governo da presidente interina Delcy Rodríguez.

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“Graças à detenção e remoção, por parte da minha administração, do ex-ditador ilegítimo e narcotraficante Nicolás Maduro, já estamos vendo os resultados de uma cooperação crescente com o governo interino do país no combate aos cartéis, incluindo a eliminação de Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua”, afirmou.

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Trump também exaltou os líderes da Colômbia, Bolívia, Argentina e outros governos de direita na região.

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