Rússia minimiza ameaça de surto epidêmico após óbito em laboratório de peste; Mongólia intensifica monitoramento na fronteira

Nesta quarta-feira, 7, a agência de saúde da Rússia afirmou que “não há qualquer risco epidêmico” para a população, em resposta ao falecimento de uma pesquisadora de um instituto que estuda a peste em Irkutsk, na Sibéria. Este caso gerou preocupações significativas em nível internacional sobre a saúde pública e levou várias pessoas a serem colocadas em quarentena no país.

A Rospotrebnadzor, órgão responsável pela saúde pública, divulgou um comunicado indicando que “a situação sanitária e epidemiológica na região de Irkutsk (…) é estável”. A agência também informou que o acompanhamento médico das mais de 90% das pessoas que tiveram contato com a pesquisadora foi concluído sem que fossem encontrados problemas relacionados a doenças infecciosas.

Por sua vez, as autoridades russas expressaram descontentamento com a cobertura da mídia sobre um suposto segundo caso de peste na Sibéria, mencionando que grande parte das informações divulgadas é inverídica.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, aconselhou que as informações sobre o incidente sejam obtidas exclusivamente através da Rospotrebnadzor. Ele afirmou: “A imprensa está divulgando muitas informações e a maior parte delas é falsa”, dirigindo-se aos jornalistas presentes.

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Em meio a esses acontecimentos, o governo da Mongólia decidiu implementar medidas de “vigilância sanitária” nas fronteiras com a Rússia diante da possibilidade de que a morte da funcionária do instituto tenha sido causada por peste.

<p“O nível atual de risco é baixo; no entanto, o Ministério da Saúde orientou as instituições competentes a adotarem precauções e manterem monitoramento contínuo para evitar quaisquer riscos potenciais”, informou o governo mongol.

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No dia anterior, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pediu maior transparência por parte da Rússia em relação à morte da pesquisadora e mencionou que seu país está “monitorando a situação de perto”.

Entenda o caso

A inquietação surgiu após o falecimento de Darya Shipilova, 28 anos, funcionária do Instituto de Pesquisa Antipeste em Irkutsk. Ela faleceu após desenvolver uma pneumonia sem causa identificada.

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No entanto, autoridades russas afirmam que os testes realizados não revelaram microrganismos relacionados às atividades profissionais da pesquisadora e descartaram até agora a possibilidade de peste pneumônica como causa do óbito. Aproximadamente 200 contatos dela foram colocados em quarentena sem novos casos registrados, conforme relatos das autoridades locais.

O governador da região de Irkutsk, Igor Kobzev, declarou que Shipilova faleceu devido a uma “pneumonia com etiologia desconhecida”. Ele destacou ainda que nenhum novo caso entre os funcionários do Instituto de Pesquisa Antipeste procurou atendimento médico nos últimos dias. O governador também assegurou que todos os contatos conhecidos da falecida foram identificados e estão sob supervisão médica.

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Peste na Sibéria

A Siberia é uma região onde a peste é endêmica, sendo esta local do primeiro surto conhecido entre humanos na pré-história. A bactéria causadora da doença, chamada Yersinia pestis, é encontrada em pequenos mamíferos selvagens típicos dessa área e nas pulgas que os infestam. Embora tenha se originado nessa região, casos diagnosticados entre russos são raros. No entanto, anualmente ocorrem registros em outras partes do mundo, especialmente na África.

A doença se manifesta em três formas distintas e atinge diferentes áreas do corpo. A peste pneumônica afeta os pulmões e provoca tosse com expiração de gotículas contaminadas no ar. Se tratada rapidamente com antibióticos, pode ser controlada; caso contrário, pode resultar em morte entre um a seis dias.

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