Negociações com Israel em meio ao fogo cruzado são consideradas rendição, declara líder do Hezbollah.

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou nesta quarta-feira, 25, que o Líbano não deveria abrir qualquer negociação com Israel enquanto o país ainda lança bombardeios, uma vez que isso seria equivalente a uma “rendição”. A declaração emitida por meio de comunicado no Telegram também apela à unidade nacional para “por fim à agressão israelense-americana”.

“Negociar com o inimigo israelense sob fogo equivale a impor a rendição e privar o Líbano de suas capacidades, especialmente porque negociações são fundamentalmente rejeitadas com um inimigo que ocupa território e continua a agressão diária”, disse o líder xiita.

Qassem afirmou ainda que os combatentes do Hezbollah estão determinados a continuar lutando “sem limites” caso o conflito se intensifique, e pediu que Beirute reverta a decisão de proibir as atividades militares do grupo armado. A medida foi tomada em 2 de março, horas após a milícia iniciar ataques com foguetes contra o território israelense em retaliação à ofensiva promovida por Washington e Tel Aviv contra o Irã.

A decisão de apoiar Teerã, que há décadas patrocina o Hezbollah como parte de seu “eixo da resistência”, fez com que as hostilidades na fronteira sul do Líbano, tecnicamente em pausa desde um cessar-fogo firmado em 2024, fossem reiniciadas. Israel respondeu com uma enorme ofensiva aérea, operações terrestres e ameaças de tomar território libanês. O conflito se agravou ao longo das semanas, resultando na morte de pelo menos 1.072 pessoas no país e obrigando outras 1,2 milhão a deixarem suas casas.

Parlamentares israelenses de extrema direita chegaram a defender a anexação do sul do Líbano, com o infame ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, afirmando que “a nova fronteira israelense deve ser o rio Litani”, curso d’água a cerca de 30 quilômetros da divisa com Israel. Os comentários foram condenados pela comunidade internacional, inclusive pelo presidente Emmanuel Macron, que tem atuado junto ao governo da ex-colônia francesa para abrir diálogo com Tel Aviv.

Beirute tem se esforçado para reduzir as hostilidades. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, fez apelos explícitos pela interrupção dos ataques, lançou críticas incomumente intensas ao Hezbollah, além de ter expulsado o embaixador iraniano do país. No entanto, o governo israelense não deu sinais de moderação. Seu ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que os libaneses deslocados de suas casas não poderão retornar à região sul até que o norte de Israel esteja seguro.

Bem Ironico

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