Na quarta-feira, 17, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu de forma contundente a uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a conclusão da cúpula do G7 realizada na França.
“Se ele [Trump] deseja continuar apoiando o Bolsonaro e seus familiares, isso é um problema dele. Gosto não se discute. Entretanto, não deve se envolver nas eleições brasileiras, pois estas são uma questão interna do Brasil, assim como as eleições nos Estados Unidos são um assunto que diz respeito aos americanos, não a mim. O que desejo é respeito pelo Brasil, assim como respeito pelo país dele”, declarou Lula em coletiva à imprensa ao ser indagado sobre os comentários de Trump.
Antes disso, Trump havia descrito o Brasil como um “país um pouco perigoso politicamente” e cometeu um erro ao afirmar que Eduardo Bolsonaro tinha sido preso, referindo-se a ele como “Bolsonaro Jr.”. Na verdade, na terça-feira, 16, o ex-deputado federal foi condenado pelo STF a quatro anos de prisão por tentar interferir no julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro; no entanto, ele não foi detido. Trump disse: “Passei bastante tempo com ele [Lula]. É um país algo complicado politicamente. Eu acabei de me despedir dele e soube que prenderam o Bolsonaro Jr. (sic). Ele estava indo bem nas pesquisas e agora o prenderam por causa de uma declaração no Texas. Eles estão tramando algo.”
Questionado por um repórter sobre os comentários feitos por Trump, Lula comentou que o americano possui um conhecimento limitado sobre a realidade brasileira. “Não estamos mais como no século passado, utilizando voto em papel. Se alguém precisa aprender sobre as eleições civilizadas do Brasil, esse alguém é meu amigo Trump. Na próxima vez, vou levar uma urna eletrônica para que ele veja como funciona”, afirmou.
Anteriormente, Lula já havia criticado as recentes medidas dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros e classificar facções como PCC e CV como grupos terroristas, considerando isso um “desaforo” e um “rompante”. Ele explicou que não solicitou um encontro bilateral com Trump durante a cúpula do G7 porque ambos os países ainda estão em negociações sobre essas questões; porém, estaria disposto a pedir uma nova reunião caso as conversações não evoluam. “O que ele [Trump] fez foi uma ação desrespeitosa para com o Brasil; ele tem consciência disso. Por isso afirmei que ainda age como um imperador”, disse Lula. “Estou esperançoso de que conseguiremos negociar apesar da atitude deles em relação ao Brasil.”
Bem Ironico