Reconhecido como um dos cineastas brasileiros mais ativos, o paulista Jeferson De já dirigiu seis filmes e participou de várias produções televisivas nos últimos anos, focando principalmente em protagonistas negros. Seu mais recente trabalho, Narciso, estreia nesta quinta-feira, 19, e traz a história de um garoto que deseja fazer parte de uma família rica e viver sob a condição de nunca mais ver seu próprio reflexo.
Em entrevista à revista VEJA, De explora os temas por trás do filme, destaca os cuidados com o jovem ator Arthur Ferreira, conhecido como “Nego Ney” na internet, e revela seu próximo projeto: uma adaptação do best-seller Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus.
Jeferson, conhecido por transitar por diferentes gêneros cinematográficos, como terror, comédia e drama histórico, ressalta a importância de colocar protagonistas negros em destaque. Para ele, é essencial abrir espaço para talentos afro-brasileiros tanto na frente quanto atrás das telas.
Narciso, assim como outros trabalhos de De, tem sido aclamado em festivais internacionais, refletindo a crescente atenção do mercado global para produções brasileiras. No entanto, o cineasta ressalta que ainda há obstáculos para cineastas afro-brasileiros atingirem posições de destaque na indústria audiovisual.
A inspiração para reimaginar o mito de Narciso em um contexto racial brasileiro surgiu de um curta anterior do diretor, intitulado “Narciso Rap”. A proposta é subverter a ideia tradicional de beleza, apresentando um protagonista negro que busca aceitação em sua própria imagem.
O cuidadoso tratamento do tema do racismo com atores infantis, como Arthur Ferreira, exigiu um ambiente de alto respeito e concentração durante as gravações. De destaca a intensidade e o comprometimento do jovem ator, que abraçou o desafio com dedicação.
Além do cinema, De também explora questões raciais em produções televisivas, como a novela Garota do Momento, buscando criar narrativas que representem a diversidade da sociedade brasileira. Seu próximo projeto, a adaptação de Quarto de Despejo, promete manter essa linha de abordagem sócio-cultural.
O cineasta destaca o papel de autoras negras como Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz e Fernanda Felisberto em seu novo filme, evidenciando a importância da representatividade e diversidade no cinema nacional. Ele ainda revela que está em busca de mais obras de escritores negros para adaptar para as telas.
Com um olhar atento à representatividade no audiovisual, Jeferson De continua a desafiar estereótipos e a promover histórias relevantes e diversas para o público brasileiro e internacional.
Bem Ironico