Israel reafirma presença militar no Líbano, desconsiderando pressões dos EUA, segundo Ministro da Defesa

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou nesta quarta-feira, 24, que as Forças de Defesa de Israel (FDI) não têm planos de retirar suas tropas do sul do Líbano, mesmo diante de exigências dos Estados Unidos.

Katz afirmou a autoridades israelenses durante o evento Muni Expo em Tel Aviv: “Duzentos mil libaneses evacuados não retornarão a suas casas. O que ocorreu no passado em zonas de segurança, onde havia civis, resultou em explosões à beira das estradas e ataques aos soldados, e por isso não permitiremos que isso se repita.” Ele enfatizou: “Ainda que haja uma demanda americana.”

Essa declaração acentua as tensões entre Israel e o governo do presidente Donald Trump, que já havia criticado a postura israelense em relação ao Líbano. Trump sugeriu que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deveria agir com “maior responsabilidade” ao lidar com o Hezbollah, grupo militante apoiado pelo Irã.

Cessar-fogo tenso

Ainda que um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah tenha sido anunciado na última sexta-feira pelos Estados Unidos, na prática, os ataques continuam.

No dia 23, o Exército israelense informou ter disparado contra “terroristas armados” no sul do Líbano, marcando o primeiro incidente desse tipo desde que a trégua foi estabelecida na noite de sábado.

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O último ataque aéreo israelense no Líbano ocorreu no sábado, dia 20, anterior à primeira rodada de negociações entre Washington e Teerã na Suíça, com o objetivo de resolver a guerra no Oriente Médio.

A pedido do Irã, um acordo temporário firmado com os EUA na semana passada estipula que Washington, Teerã e seus aliados devem implementar imediatamente um fim permanente das operações militares em todas as frentes da guerra no Oriente Médio, incluindo o Líbano.

Uma declaração conjunta ao final das conversas iniciais mediadas pelo Paquistão e Catar na Suíça indicou que as partes concordaram em estabelecer uma “célula de desconflito” para assegurar o cumprimento da trégua no Líbano.

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No entanto, Netanyahu reafirmou na segunda-feira que as forças armadas têm plena liberdade para neutralizar qualquer ameaça direta ou emergente do Hezbollah contra elas ou cidadãos israelenses, afirmando que permaneceriam no Líbano “o tempo que fosse necessário”.

Desde que o Hezbollah iniciou os ataques contra Israel em apoio ao Irã em 2 de março, estima-se que 4.192 pessoas tenham perdido a vida no Líbano devido às retaliações israelenses, incluindo mais de 770 mulheres, crianças e profissionais de saúde, conforme informações do Ministério da Saúde local. Os dados não discriminam quantos mortos pertencem ao grupo armado.

Aproximadamente 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas internamente no Líbano devido ao conflito.

No lado israelense, contabiliza-se pelo menos 32 soldados e quatro civis mortos em decorrência dos ataques do Hezbollah.

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