Três dias após a disputa presidencial mais acirrada da história da Colômbia, o candidato de esquerda Iván Cepeda formalizou a aceitação da vitória do conservador Abelardo de la Espriella. Em um discurso realizado nesta quarta-feira, 24, o senador declarou que está de acordo com o resultado oficial e anunciou que o adversário é o novo presidente do país.
“Optei por aceitar o resultado que se originou desse processo. Abelardo de la Espriella é agora o presidente da República”, disse Cepeda em sua mensagem à nação. O político ainda comentou que a esquerda irá manter uma “oposição democrática e construtiva” ao longo do próximo governo.
A confirmação foi feita após a conclusão da apuração dos votos pela Registradoria Nacional. Conforme informado pelo órgão eleitoral, os resultados preliminares apresentados na noite da eleição coincidiram em 99,997% com o escrutínio final, um índice destacado pelas autoridades como prova da integridade do processo.
Com base nos dados oficiais, De la Espriella obteve 12,95 milhões de votos, representando 49,66% dos votos válidos. Já Cepeda conquistou 12,70 milhões de votos, ou 48,70%, resultando em uma diferença aproximada de 250 mil votos.
Transição sob Gustavo Petro
<spanA aceitação da derrota por parte de Cepeda se contrasta com a postura recente do presidente Gustavo Petro. O mandatário vinha levantando questionamentos sobre os resultados eleitorais e argumentava que a pequena margem exigia prudência antes de se declarar um vencedor.
<spanEntretanto, na terça-feira, Petro anunciou oficialmente o início do processo de transição para o novo governo. Em publicações nas redes sociais, ele mencionou que estava iniciando sua retirada do poder e aludiu à possibilidade de uma “resistência pacífica” para proteger seu legado.
“Inicia-se a transição e minha saída, e talvez uma resistência pacífica”, escreveu ele.
Ainda assim, mesmo após reconhecer institucionalmente os resultados, Petro continuou levantando dúvidas sobre a legitimidade do processo eleitoral. Ele insinuou que poderia ter havido interferência por parte do ex-presidente americano Donald Trump nas eleições colombianas e sugeriu que essa questão deveria ser examinada sob uma perspectiva internacional.
O presidente também reiterou seu apoio às reformas implementadas durante seu mandato e garantiu que sua saída não significa o fim do projeto político da esquerda colombiana.
Pacto Histórico fortalecido
A despeito da derrota na corrida presidencial, Cepeda sai dessa disputa com a maior votação já obtida por um candidato de esquerda na Colômbia. Com 12,7 milhões de votos, o senador solidificou a posição do Pacto Histórico como a principal força oposicionista ao futuro governo.
No pleito legislativo realizado em março, essa coalizão conquistou 25 das 102 cadeiras no Senado e 42 das 182 vagas na Câmara dos Representantes, tornando-se assim a maior bancada individual no Congresso, embora sem conseguir uma maioria absoluta.
Conforme as leis colombianas, Cepeda deve assumir a cadeira no Senado destinada ao candidato derrotado no segundo turno presidencial. A partir dessa posição, ele deve liderar a oposição ao governo de Abelardo de la Espriella pelos próximos quatro anos.
Bem Ironico