Líder cubano garante que resistirá inabalavelmente às tentativas dos EUA de dominar a ilha

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou na terça-feira 17 que qualquer tentativa dos Estados Unidos de assumir o controle da nação insular será recebida com “resistência inabalável”, após seu homólogo americano, Donald Trump, sugerir no início da semana que poderia fazer o que quisesse com a ilha “muito em breve”. As provocações ocorrem em meio a uma crescente crise energética no território cubano devido ao aumento do cerco de Washington à exportação de combustível ao país, que levou a um colapso da rede elétrica na segunda-feira.

Sucessivas administrações americanas tentaram isolar Cuba por mais de seis décadas, escreveu Díaz-Canel em uma postagem no X (ex-Twitter), acusando o governo Trump de agora usar a fragilidade econômica como um “pretexto ultrajante” para assumir o controle do país.

“Só assim se explica a feroz guerra econômica, que é aplicada como punição coletiva contra todo o povo”, disse ele. “Diante do pior cenário, Cuba tem uma certeza: qualquer agressor externo encontrará uma resistência inabalável.”

Há meses Trump tem provocado a liderança comunista de Díaz-Canel com ameaças. Depois de sugerir na segunda-feira que teria “a honra de assumir o controle” da ilha, Trump disse na terça: “Faremos algo com Cuba muito em breve”. Seu secretário de Estado, Marco Rubio, complementou a declaração com uma avaliação contundente do Salão Oval.

“(Cuba) precisa de novas pessoas no comando”, disse o chefe da diplomacia americana. “A economia deles não funciona… Eles estão em grandes apuros, e as pessoas no comando não sabem como resolver a situação, então precisam de novas pessoas no comando.”

Baque econômico

Cuba sofreu um severo impacto econômico desde que os Estados Unidos efetivamente bloquearam suas compras de petróleo no início deste ano, privando sua antiga rede elétrica da principal fonte de combustível. A maior parte dos 10 milhões de habitantes da ilha ficou sem energia na segunda-feira, quando o primeiro colapso da rede elétrica em todo o país obrigou-os a cozinhar com gás, à luz de tochas e velas.

O governo reduziu o horário de aulas em escolas e adiou eventos esportivos, enquanto o lixo se acumula em alguns bairros devido à falta de combustível para os caminhões de coleta. Na tarde de terça, a energia havia voltado para cerca de 55% dos clientes na capital, Havana, e em algumas localidades nas regiões oeste e centro-leste do país.

A crise energética na ilha piorou após a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, pelas forças americanas, o que interrompeu abruptamente os envios de combustível de Caracas, principal fornecedor de Cuba nos últimos 25 anos. As Nações Unidas estão negociando com o governo Trump para permitir a entrada de combustível em Cuba para “fins humanitários”.

O republicano, por sua vez, não esconde o seu desejo por uma mudança no regime castrista, chefiado pelo Partido Comunista em território a apenas 150 km dos Estados Unidos. No início do mês, disse que quer Cuba “vai cair muito em breve”; no início deste ano, o instou Havana a “chegar a um acordo” ou enfrentar as consequências; também falou em uma “tomada amistosa” da ilha. “Eles não têm dinheiro, não têm nada agora, mas estão conversando conosco e talvez vejamos uma tomada amistosa de Cuba”, declarou.

Na semana passada, Díaz-Canel confirmou que seu governo abriu diálogo com representantes dos Estados Unidos, para “identificar os problemas bilaterais que precisam de solução”.

“Funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas com representantes do governo dos Estados Unidos”, afirmou Díaz-Canel em uma reunião com as principais autoridades do país, segundo imagens exibidas pela televisão cubana. “As conversas foram orientadas a buscar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais que temos entre as duas nações”, acrescentou.

Bem Ironico

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