Os três pontos mais polêmicos do documentário sobre Elon Musk exibido em Veneza

O documentário Musk, sobre o empresário Elon Musk, dirigido por Alex Gibney, foi exibido fora de competição no Festival de Veneza nesta terça-feira, 8, e causou barulho no evento. Com quase quatro horas de duração, a produção reúne depoimentos de pessoas próximas a ele, investidores do ramo, ex-funcionários da Tesla e da Spacex (empresas do bilionário), e do Doge, departamento do governo americano onde ele atuou no ano passado. Uma das entrevistas mais reveladoras vem de Ashley St. Clair, ativista pró-Trump que teve um filho com Musk em 2024 – um dos 14 herdeiros reconhecidos por ele até aqui. Ela conta que negou uma proposta de acordo de confidencialidade no valor de 40 milhões de dólares do ex para não falar publicamente sobre a relação. 

Musk e sua legião de filhos 

Um dos pontos mais polêmicos, levantados por Ashley, é a obsessão do empresário por ter uma “legião” de descendentes. Musk estaria se preparando para uma futura guerra civil, que vai causar uma ampla desolação nos Estados Unidos – logo, estaria precavido com um grande número de herdeiros diante de um possível apocalipse. 

Continua após a publicidade

Interferência nas eleições americanas

Apesar de não comprovar que Musk possuísse informação privilegiada sobre a vitória de Donald Trump em 2024, o filme lista depoimentos de pessoas próximas a ele que suspeitam de interferência do bilionário nas eleições americanas. Antes do resultado, ele demonstrava uma segurança incomum na vitória e dizia que recebeu do céu uma confirmação sobre a eleição – ironia que estaria ligada ao fato de que ele controla satélites da Starlink, além da rede social X (antigo Twitter), que teria priorizado conteúdos pró-Trump. O episódio levanta uma questão mais ampla: quanto poder sobre informação, dados e opinião pública Musk acumulou a ponto de influenciar um ato democrático? 

Empresário Elon Musk segura chave presenteada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca. 30/05/2025Kevin Dietsch / GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP
Continua após a publicidade

Elon Musk feito por IA

O empresário recusou-se a conceder entrevista a Gibney. A solução do diretor foi criar um avatar digital de Musk, acompanhado por sincronização de voz com inteligência artificial. O “Musk virtual” responde usando declarações que o verdadeiro empresário efetivamente deu em entrevistas e aparições públicas. A ironia é deliberada: um filme que questiona o poder tecnológico de Musk utiliza justamente IA para produzir a entrevista que ele se recusou a dar.

Publicidade

Bem Ironico

Bem Ironico