Trump enfrenta ações judiciais por tentativa de comercializar acesso prévio a suas declarações pessoais

Nesta quarta-feira, 12, duas organizações de mídia dos Estados Unidos acionaram judicialmente o presidente Donald Trump em relação ao novo serviço da sua plataforma, a Truth Social. Esse serviço oferece acesso antecipado a postagens de perfis que podem influenciar o mercado financeiro, incluindo as do próprio presidente republicano.

A ação foi protocolada em Nova York por The Intercept e Freedom of the Press Foundation, que classificam a nova feature da plataforma como “extraordinária, corrupta e inconstitucional”.

Ben Muessig, editor-chefe do The Intercept, declarou: “Trump está tentando lucrar ao privatizar informações governamentais que não têm o direito de comercializar. Nós não permitiremos que isso aconteça”.

A organização Citizens for Responsibility and Ethics in Washington (CREW) também se posicionou em apoio ao processo. O conselheiro chefe Nikhel Sus enfatizou que “todo americano tem o direito a um acesso igualitário às declarações públicas do presidente”.

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Rede social de Trump

A Truth Social é uma iniciativa da Trump Media, na qual a família do presidente detém a maior parte das ações. A plataforma tem sido frequentemente utilizada pelo republicano para comunicar informações relevantes, desde atualizações sobre conflitos no Irã até questões de tarifas comerciais. Por essa razão, o acesso antecipado às suas publicações pode causar oscilações significativas nos mercados financeiros.

Embora para investidores individuais alguns milissegundos possam parecer irrelevantes, no contexto da negociação automatizada esse curto espaço de tempo pode ser crucial para que sistemas detectem informações relevantes e realizem ordens de compra e venda antes que os preços se ajustem.

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A nova funcionalidade é vista como uma forma de proporcionar aos assinantes uma vantagem competitiva nas transações financeiras. Contudo, essa abordagem levantou debates sobre suas implicações legais e éticas, questionando se é apropriado que uma empresa lucra com suas próprias declarações públicas. Recentemente, os senadores democratas Elizabeth Warren e Adam Schiff solicitaram à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) uma investigação acerca dessa prática.

Eles afirmaram: “Isso parece ser um escandaloso abuso da posição presidencial em benefício próprio, prejudicando os investidores comuns e comprometendo a integridade dos nossos mercados enquanto enriquece Wall Street e outros privilegiados”.

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No dia 11, uma reportagem da BBC revelou que já existem mais de 10 empresas aderindo ao serviço. Segundo Kevin McGurn, CEO interino da Trump Media, as taxas de assinatura variam entre US$ 60 mil e US$ 100 mil ao mês (equivalente a R$ 300 mil e R$ 500 mil). A empresa acredita que este serviço poderá se tornar uma fonte significativa e duradoura de receita, além das estratégias já existentes relacionadas à publicidade e ativos digitais.

A adoção dessa nova ferramenta na Truth Social exemplifica como Trump mistura suas atividades empresariais com sua função presidencial, gerando preocupações éticas adicionais conforme apontaram Warren e Schiff. Em julho passado, Trump anunciou ter recebido mais de US$ 1,4 bilhão (R$ 7,25 bilhões) em 2025 oriundos dos projetos de criptomoedas desenvolvidos por sua família.

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