Irã e Omã firmam pacto para administração compartilhada do Estreito de Ormuz

Nesta quarta-feira, dia 5, o Irã revelou que chegou a um consenso com Omã sobre a gestão e divisão do Estreito de Ormuz, que é responsável por aproximadamente 20% do petróleo e gás consumidos globalmente.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã comunicou que os representantes dos dois países estão nos estágios finais de negociação sobre a administração conjunta da passagem marítima e o controle do tráfego de embarcações.

Segundo Esmaeil Baqaei, porta-voz do ministério, “as coordenadas geográficas da nova rota já foram estabelecidas. A declaração conjunta, que incluirá os principais pontos acordados e as considerações pertinentes, também está em fase final de revisão, desde que não haja interferência externa”.

O acordo propõe um novo sistema de navegação, distinto do utilizado antes da guerra. De acordo com o entendimento, os navios acessarão o Golfo Pérsico por uma rota sob supervisão iraniana e sairão pela passagem controlada por Omã, numa tentativa de reorganizar o tráfego marítimo na área.

Apesar dos progressos nas negociações, Baqaei enfatizou que esse entendimento entre os dois países não será suficiente para assegurar a segurança no estreito. Ele destacou que a questão permanece atrelada ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos a portos iranianos e à resistência de Washington em permitir a cobrança de pedágios ou exigir autorizações para navegação por parte do Irã.

Ponto de atrito

A rota marítima estratégica no Oriente Médio, Ormuz tem sido um dos principais focos de tensão nas tentativas diplomáticas para resolver o conflito. Recentemente, ela se tornou o estopim para novos confrontos entre Irã e Estados Unidos, após as duas tréguas estabelecidas em abril e junho.

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Este novo entendimento foi alcançado logo após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o Irã enfrentaria severas consequências se as discussões para reabertura do estreito não avançassem.

O Irã manifestou interesse em incrementar seu controle sobre a passagem e implementar tarifas, algo que não era realizado anteriormente à guerra, medidas estas contrárias aos interesses dos EUA. O Ministério das Relações Exteriores iraniano também negou estar em diálogo com Washington, apesar das afirmações de Trump sobre negociações em andamento. O Catar, atuando como mediador nas conversas, confirmou que os contatos diplomáticos prosseguem, mas não há previsão de reuniões diretas entre os envolvidos.
Possíveis termos do acordo
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De acordo com informações obtidas pelo portal Axios, autoridades regionais e um funcionário americano comentaram sobre um arranjo possível para um período de 60 dias sem cobrança de pedágio na passagem pelo estreito. Este entendimento visa reiniciar o cessar-fogo e retomar um processo diplomático mais amplo voltado à conclusão de um acordo nuclear.

As tratativas incluíram diálogos diretos entre Omã e Irã e mediadores do Catar, além do Paquistão e da Arábia Saudita. A Casa Branca também participou ativamente: segundo informações do Axios, várias conversas telefônicas ocorreram entre Steve Witkoff, enviado especial de Trump, e os chanceleres Abbas Araghchi (Irã) e Badr al-Busaidi (Omã).

Ataque no Mar Vermelho

As interrupções na navegação em Ormuz intensificaram a relevância das rotas marítimas pelo Mar Vermelho, onde os rebeldes hutis, apoiados pelo Irã e que dominam amplas áreas no Iêmen, anunciaram um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita em 20 de julho. Eles também atacaram instalações petrolíferas sauditas.

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O porto saudita de Yanbu no Mar Vermelho permitiu que Riad mantivesse seu envio aos mercados globais sem passar por Ormuz. Entretanto, desde o anúncio do bloqueio pelos hutis, diversos ataques contra navios foram reivindicados. Na última terça-feira, a embarcação indiana MSV Faize Noore Oliya afundou próxima à costa iemenita após ser atingida por bombardeios; autoridades indianas relataram que todos os 14 tripulantes foram resgatados enquanto o governo iemenita atribuiu a responsabilidade ao grupo rebelde.

Na mesma terça-feira, operações no aeroporto localizado no sudoeste da Arábia Saudita foram suspensas após um ataque realizado pelos hutis.

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