Em meio a tensões com o Brasil, embaixada francesa torna-se alvo de Trump

A pressão que o governo de Donald Trump exerce sobre o Brasil se estende também à Europa. Conforme informações do jornal francês Le Figaro, os Estados Unidos ameaçam impedir a nomeação de Aurélien Lechevallier, o novo embaixador da França em Washington, como resposta às críticas da diplomacia francesa em relação à postura americana no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Essa informação foi revelada nesta quarta-feira, dia 5, e surge logo após a revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti, o que marca mais um capítulo na crise entre os dois países. Embora as situações tenham origens diferentes, ambas evidenciam a estratégia da Casa Branca de utilizar medidas diplomáticas para pressionar governos que considera hostis à sua política externa.

Impasse na ONU

Conforme o Figaro, Lechevallier tinha previsão de assumir a embaixada francesa em setembro, mas o Departamento de Estado dos EUA ainda não concedeu o agrément, que é essencial para que um embaixador possa exercer suas funções no país anfitrião.

A paralisação teria sido desencadeada por uma declaração da representação francesa em Genebra, que criticou a decisão dos Estados Unidos de se opor à renovação do mandato de Volker Türk, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos. Na ocasião, diplomatas franceses afirmaram que Washington deixou de ser um “farol dos direitos humanos”, passando a se alinhar com nações como Rússia, Coreia do Norte e Nicarágua.

Autoridades americanas descreveram essa declaração como “irresponsável”, “desrespeitosa” e “arrogante”, levando ao congelamento temporário da nomeação do diplomata francês.

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Atritos

Esse episódio representa apenas mais um ponto de tensão nas relações entre Paris e Washington, que nos últimos meses têm divergido sobre questões relacionadas a direitos humanos, tarifas comerciais, segurança no Oriente Médio, Groenlândia e supostas interferências em eleições europeias. Em uma dessas ocasiões, a delegação americana chegou a deixar uma reunião do Conselho de Segurança da ONU durante um pronunciamento da França.

Diversos veículos franceses, incluindo Le Figaro e Le Monde, também comentaram sobre a recente revogação do visto de Viotti. As publicações afirmam que essa ação contra a embaixadora brasileira reflete uma rara demonstração de pressão diplomática, vinculada ao atraso do governo Lula na concessão do agrément ao indicado por Trump para liderar a embaixada americana em Brasília, Daniel Perez.

A administração americana afirmou que a revogação do visto pode ser revertida caso o Brasil aprove a nomeação do diplomata. Em resposta, o Planalto classificou essa ação como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o país.

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