Na noite de terça-feira, 7, a cidade de Havana foi novamente palco de manifestações, enquanto o governo se esforçava para restabelecer o fornecimento elétrico após um apagão significativo que começou na segunda-feira. Moradores de diversos bairros se uniram em panelaços, buzinas e gritos de “acendam as luzes”, em meio a cortes de energia que persistem há dias em várias partes da ilha.
Este colapso na rede elétrica representa o terceiro apagão nacional em Cuba apenas neste ano e soma-se ao sétimo ocorrido nos últimos 18 meses. Apesar das declarações oficiais indicando que uma parte do sistema já está funcionando novamente, milhões de cubanos ainda enfrentam longos períodos sem eletricidade.
Protestos
Os protestos ocorreram em áreas como Jaimanitas, Guanabacoa, Centro Habana, Alamar e Arroyo Arenas. Além dos panelaços, manifestantes bloquearam ruas com lixo em chamas e exclamaram palavras de ordem como “Liberdade” e “Abaixo a ditadura”, em oposição ao governo.
Em algumas regiões, a energia foi restabelecida logo após o início das manifestações, levando alguns participantes a retornarem para casa devido à volta temporária da eletricidade. Entretanto, outros locais continuaram sem energia durante toda a noite.
Organizações de direitos humanos e veículos de comunicação opositores relataram prisões de manifestantes, além do aumento do policiamento e interrupções pontuais na internet — táticas que esses grupos afirmam serem utilizadas pelo governo para dificultar a mobilização popular.
A atual onda de protestos é considerada uma das mais extensas desde os eventos históricos ocorridos em 11 de julho de 2021. O Observatório Cubano de Conflitos registrou 107 manifestações nas ruas em junho de 2026 — um número recorde desde que começou o monitoramento — quase o dobro do pico anterior, que era de 54 protestos em março. Desses, 82 aconteceram em Havana.
Crise energética
A estatal Unión Eléctrica (UNE) anunciou que conseguiu restabelecer a conexão entre Pinar del Río, na parte oeste da ilha, e Holguín, no leste. No entanto, Santiago de Cuba, a segunda maior cidade do país, ainda permanecia sem energia elétrica segundo as autoridades.
Especialistas apontam que o agravamento da crise energética se deve ao descaso com as usinas termelétricas, à falta de combustível e à ausência de investimentos na infraestrutura elétrica. Em várias regiões da ilha, os residentes lidam com apagões que podem durar mais de 30 horas consecutivas, afetando o abastecimento de água, a conservação dos alimentos e o funcionamento adequado de hospitais e serviços cruciais.
Disputa entre Havana e Washington
A administração liderada por Miguel Díaz-Canel atribui a intensificação da crise às sanções impostas pelos Estados Unidos, principalmente relacionadas ao fornecimento de combustíveis e às medidas econômicas endurecidas pelo ex-presidente Donald Trump. O governo cubano argumenta que o embargo prejudica as importações necessárias para manter a infraestrutura elétrica funcionando.
Em janeiro deste ano, Washington interrompeu o fornecimento de combustível à Cuba e ampliou as restrições econômicas, resultando na saída de empresas estrangeiras e impactando ainda mais o setor turístico como forma de pressionar o regime cubano para negociações.
Por outro lado, os Estados Unidos responsabilizam o governo comunista pelo colapso da infraestrutura elétrica. Durante um debate na Assembleia Geral da ONU sobre as sanções aplicadas à ilha caribenha, o embaixador americano na organização internacional, Michael Waltz, declarou que a crise é resultado da gestão cubana. “Mudem seus hábitos e reacendam a luz para seu povo”, enfatizou.