O senador Romário (PL-RJ) decidiu devolver os salários que recebeu enquanto esteve nos Estados Unidos, exercendo a função de comentarista durante a Copa do Mundo. Essa decisão foi formalizada em um ofício dirigido ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e discutida no programa Ponto de Vista, onde o editor José Benedito da Silva e o cientista político Leandro Consentino comentaram as repercussões políticas desse ato tanto para o senador quanto para o PL (este texto é um resumo do vídeo acima).
Conforme relatado pela apresentadora Laísa Dall’Agnol, Romário optou por restituir os vencimentos referentes ao período de 11 de junho a 19 de julho, durante o qual atuou como comentarista no Mundial nos Estados Unidos.
Em uma videoconferência para o Senado, o parlamentar explicou que decidiu não se licenciar do seu mandato para poder votar em uma possível proposta de emenda constitucional que aborda a jornada de trabalho estabelecida como escala 6×1. A posição de Romário sobre essa proposta surpreendeu muitos, pois contrasta com a postura de algumas lideranças do PL.
<pJosé Benedito da Silva afirmou que a devolução dos salários pode amenizar o desgaste imediato, mas não elimina as discussões sobre o caso. “Se você quer evitar polêmicas, não deve eleger ou contratar Romário”, destacou.
O editor de VEJA considerou que a atitude do senador foi acertada ao optar pela restituição dos valores. “Foi uma decisão correta devolver o salário, pois isso poderia gerar um grande desconforto”, comentou.
José Benedito também observou que possíveis repercussões eleitorais para Romário devem ser limitadas, visto que ele só concorrerá novamente em 2030. “Qualquer impacto negativo na eleição levaria tempo para se materializar”, acrescentou.
De acordo com José Benedito, mesmo com a pouca identificação política de Romário com o partido, essa situação acaba refletindo negativamente na imagem da legenda. “Romário representa mais um motivo de desgaste para o PL, apesar da sua fraca ligação com o partido”, comentou.
Além disso, ele avaliou que esse incidente revela fragilidades nos mecanismos que controlam as atividades dos parlamentares. “O senador estava atuando como comentarista nos EUA e recebendo salários do Senado. Se ele não tivesse mencionado a devolução, os pagamentos teriam continuado normalmente”, disse. Para ele, é imprescindível corrigir situações dessa natureza, já que “a população desaprova tais comportamentos”.
O cientista político Leandro Consentino concorda que os efeitos eleitorais diretos sobre Romário são limitados devido à distância até as próximas eleições. Entretanto, quando analisado sob uma perspectiva mais ampla, ele argumenta que esse episódio enfraquece parte da narrativa criada pelo bolsonarismo desde 2018.
“Você tinha a ideia de ‘família em primeiro lugar’ e agora vê a própria família Bolsonaro em conflito. Da mesma forma, havia um discurso sobre ‘moralização da coisa pública’, mas vemos posturas como a do senador Romário, viajando e recebendo sem pedir licença”, observou.
Consentino alertou que incidentes recorrentes envolvendo aliados têm minado a credibilidade dessa narrativa. “Cada escândalo diminui um pouco essa percepção e causa danos não apenas ao PL, mas também ao movimento construído em 2018 sob essas bandeiras”, afirmou.
Em sua análise final, Consentino concluiu que “a situação do senador Romário é mais um fator prejudicial à narrativa mais abrangente do bolsonarismo”.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
Bem Ironico