A minissérie Eu Vou Te Encontrar estreou na Netflix na quinta-feira, 18, e representa a 12ª colaboração entre a plataforma e o autor Harlan Coben. Desde 2020, essa parceria tem gerado uma série de sucessos de audiência, incluindo produções como Não Fale com Estranhos, A Grande Ilusão e Custe o Que Custar. A nova série também se destacou: Eu Vou Te Encontrar alcançou a liderança entre as dez séries mais assistidas da plataforma no último fim de semana, com impressionantes 24 milhões de visualizações e 131,7 milhões de horas assistidas. Coben, conhecido por seu acervo de mais de 37 obras – das quais 36 já estão disponíveis no Brasil – também superou a marca de 100 milhões de livros vendidos globalmente. Em uma entrevista, ele discute sua incessante fonte de criatividade e reflete sobre seus processos criativos.
Qual é o seu nível de envolvimento nas adaptações para a televisão? O meu papel varia conforme o projeto e o país em questão. Em geral, eu aprovo todas as escolhas relacionadas ao elenco, roteiros, direção e equipe técnica. Estou profundamente envolvido nas discussões. No caso específico de Eu Vou Te Encontrar, fui responsável por selecionar cada ator individualmente. Estive presente no set em várias ocasiões e contribuí com feedback sobre todos os roteiros. Durante as gravações, recebi diariamente as filmagens do dia anterior.
Você segue alguma fórmula para gerar novas ideias? Eu costumo me perguntar “E se?” ao pensar em histórias. Ao observar uma pessoa, imagino quais são seus sonhos e aspirações. Essa prática me ajuda a desenvolver personagens que pareçam autênticos e reais. Essa reflexão é constante para mim, pois faz parte do meu trabalho.
Você acredita que ainda há espaço para originalidade em mistérios e thrillers? Sim, acredito que sim. Por exemplo, não creio que muitas pessoas conseguirão prever o final de Eu Vou Te Encontrar. É claro que isso é possível, mas o essencial é oferecer um desfecho impactante e emocionante. O elemento emocional é fundamental para qualquer reviravolta na trama. Eu me concentro mais nisso do que em como surpreender o público.
Como você inicia suas histórias? Eu sempre conheço o final antes mesmo de começar a escrever. Se perguntasse a cem escritores, provavelmente cerca de 65 afirmariam que não sabem como vai terminar, enquanto 35 diriam que sim. Eu sempre soube como seria o final de Eu Vou Te Encontrar. A primeira frase do livro revela: “estou cumprindo o quinto ano de prisão perpétua por ter matado meu próprio filho. Aviso de spoiler: não fui eu”. Desde esse momento, já tinha clareza sobre a narrativa. Entretanto, quanto aos detalhes entre o início e o fim da história, vou descobrindo à medida que escrevo.
O que te inspira? Minha maior paixão é entreter as pessoas. Isso é essencial para mim. Gosto muito da ideia de saber que milhões estão ligando suas Netflix ao redor do mundo neste exato momento. Isso realmente me motiva. A resposta dos leitores ou espectadores é uma grande fonte de inspiração para mim. Ter essa conexão com eles é algo incrível. Existem inúmeras séries e livros disponíveis por aí; portanto, ser escolhido é um privilégio que valorizo muito.
Pelo que você acredita que suas obras fazem tanto sucesso? Honestamente, não sei exatamente dizer. Meu objetivo é criar histórias emocionantes com personagens com os quais as pessoas possam se identificar. Se não houver um apelo emocional nas narrativas, nem mesmo a melhor televisão do mundo será capaz de manter interesse no público. O coração das histórias é o verdadeiro “motor”. Dedico-me intensamente para enganar os leitores enquanto ofereço algo que espero seja apreciado por eles.
C quanto tempo você leva para escrever um livro? Normalmente, todo o processo leva cerca de nove meses—como se fosse uma gestação. A parte mais gratificante é encontrar a ideia inicial, mas geralmente consigo concluir um livro por ano.
E como funciona seu processo criativo? Tento manter minha mente aberta durante todo o tempo. Se você senta e diz: “hoje vou ter uma ideia”, isso pode não funcionar bem. O importante é estar sempre refletindo sobre novas histórias. Um exemplo disso foi quando estava fazendo uma trilha com minha família – algo que não aprecio muito – quando vi um menino pequeno caminhando sozinho e comecei a imaginar suas possíveis histórias. É assim que surgem minhas ideias; então volto para casa e começo a escrever.
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