Advogado que garantiu delação de Mauro Cid é considerado para a defesa de Vocaro

O advogado Cezar Bitencourt, conhecido por sua atuação na defesa do tenente-coronel Mauro Cid no caso da conspiração golpista, está sendo cogitado para assumir a representação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Isso ocorre após duas tentativas malsucedidas de firmar um acordo de delação premiada. No entanto, a formalização da entrada do advogado nas investigações relacionadas ao Banco Master ainda está em processo de negociação.

Bitencourt é um profissional respeitado na área do Direito Penal e também atua como professor. Em 2017, ele foi responsável pela defesa de Rodrigo Rocha Loures, deputado federal na época, que ficou conhecido como o “homem da mala” e enfrentou acusações por supostamente intermediar o pagamento de 500 mil reais em propina da JBS ao ex-presidente Michel Temer, caso que se destacou na mídia antes de seu envolvimento com a trama golpista.

Em 2023, Bitencourt voltou a ser destaque ao assumir a defesa de Mauro Cid após uma série de mudanças na equipe jurídica do tenente-coronel. Essa situação se assemelha à que está acontecendo agora com Vorcaro, que já dispensou os advogados renomados José Luis Oliveira Lima e Roberto Podval.

A presença de Bitencourt na defesa de Mauro Cid foi crucial para que o ex-assessor do presidente Bolsonaro conseguisse firmar um acordo de colaboração premiada que resultou em sua contribuição para a condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O advogado demonstrou habilidade em momentos críticos em que o acordo estava prestes a ser rescindido, conseguindo manter os benefícios acordados para Cid.

Quando as colaborações premiadas começaram a ganhar destaque no Brasil durante a Operação Lava Jato, Bitencourt expressou publicamente suas críticas ao mecanismo. Em um artigo publicado em 2017 no portal Consultor Jurídico, intitulado Delação premiada é favor legal, mas antiético, ele descreveu as delações como uma “figura esdrúxula” e argumentou que “não se pode admitir, eticamente, sem qualquer questionamento, a premiação de um delinquente que ‘dedure’ seu parceiro para obter vantagens”.

A segunda tentativa de Daniel Vorcaro de fechar um acordo de delação premiada foi negada tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com as autoridades mencionadas, as informações apresentadas pelo ex-banqueiro não eram consideradas relevantes para as investigações em andamento. Diante disso, Cezar Bitencourt poderá ser chamado para fortalecer a defesa do proprietário do Banco Master. Esta informação foi inicialmente divulgada pelo Estadão e confirmada por VEJA.

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